terça-feira, 12 de junho de 2018

Os elementos de um roteiro de cinema


Na outra postagem expliquei o que é um roteiro de cinema e suas principais diferenças dos romances e outras obras literárias que estamos acostumados a ver. Hoje daremos continuidade em nossos estudos falando dos elementos que existem em um roteiro de cinema.




Os Principais componentes presentes em um roteiro são o Cabeçalho, a Ação, os Personagens, Os diálogos, a Rúbrica e a Transição.

1 – Cabeçalho


O objetivo do Cabeçalho é indicar o espaço e o tempo em que acontece a ação. Syd Field (1982. P 117) diz que a cena precisa de duas coisas: Lugar e tempo. Segundo ele, “você tem que saber essas duas coisas antes que possa estruturar ou construir a cena”(FIELD; SYD, 1982, p. 117). No geral o cabeçalho possui três informações principais.

A primeira indica se a ação ocorre em um ambiente Interno (casa, quarto, sala, escritório, etc) ou em um ambiente externo (Jardim, bosque, rua, campo, etc). Esses termos são abreviados por INT (para interior) e EXT (para exterior).

A segunda informação indica onde ocorre a cena. Por exemplo: Cozinha, sala, padaria, rua, terraço, estrada, etc

A terceira informação indica o tempo que ocorre a cena. Mais precisamente o momento do dia. Por isso, o mais comum é encontrarmos termos como DIA, TARDE, NOITE... caso seja necessário para a narrativa. pode haver também o horário específico.

Quando acontecem duas cenas no mesmo local, mas em momentos diferentes, é necessário criar um novo cabeçalho indicando a alteração do tempo. Muitas vezes é comum ver o termo “Algum tempo depois” na indicação de tempo. Lembre-se sempre que “se você muda o lugar ou o tempo ela se torna outra cena” (FIELD; SYD, 1982, p. 117), portanto deve ser criado um novo cabeçalho.

Além dessas três informações, o roteirista pode optar por incluir mais informações extras com a intenção de facilitar o entendimento da equipe e do diretor, no entanto, não é recomendado incluir uma grande quantidade de informações pois pode poluir o texto.

Há outro tipo de cabeçalho que é a Tela escura. Esse termo indica que nenhuma imagem aparece na tela. As vezes pode aparecer um texto ou apenas descrever sons.

2 – Ação


A ação descreve os personagens e os eventos dentro da cena. Syd Field diz que um roteiro “é sobre uma pessoa, ou pessoas, num lugar, ou lugares, vivendo sua coisa. (...) A pessoa é o personagem e viver sua coisa é a ação” (FIELD; SYD, 1982, p. 12).

A ação deve ser concisa e objetiva. Sua função principal é explicar de forma eficiente os eventos de uma cena com o mínimo de palavras. Lembre-se: menos é mais. Um roteiro tem que ser limpo e preciso para auxiliar a produção e os atores.

O tempo verbal na ação é sempre no presente do indicativo. Nuca no pretérito. O personagem não sentou na cadeira, ele SENTA na cadeira.

Outro detalhe importante para se lembrar é que quando um personagem aparece pela primeira vez na história, seu nome é sempre escrito em caixa alta. É comum também colocar, quando necessário, a idade ou algumas características dos personagens entre colchetes ou parênteses.

3 – Diálogo


Os diálogos são o jogo de falas entre os personagens dentro da cena. Enquanto a ação descreve os eventos de uma cena, os diálogos mostram as opiniões e os sentimentos dos personagens a respeito daqueles eventos.

Syd Field (1982, p. 150) lista os principais propósitos de um diálogo. Segundo ele, o diálogo:

·         Move a história adiante
·         Comunica fatos e informações ao leitor
·         Revela o personagem
·         Estabelece os relacionamentos os personagens
·         Empresta realidade, naturalidade e espontaneidade ao personagem
·         Revela o conflito da historia e personagens
·         Revela o estado emocional do personagem
·         Comenta a ação.

Os diálogos devem ser fiéis às características dos personagens. Se o personagem for da alta classe falará de forma diferente de outro personagem da periferia.

Particularmente, escrever diálogos é uma tarefa difícil. Escrever bons diálogos mais ainda. Nem sempre a maneira como conversamos da certo na tela, mas se afastar muito disso pode perder a verossimilhança. É necessário prática para atingir a perfeição.

3 – Rúbrica



A rubrica é geralmente utilizada para qualificar alguns aspectos físicos da fala dos personagens, como “sussurrando” ou “com sotaque x”... Através da rubrica o roteirista informa ao diretor e ao ator esses tipos de informações.

No entanto, é recomendável evitar a rubrica pois um roteiro bem escrito provavelmente já indicará ao leitor esses atributos através da ação e da fala do personagem.  A rubrica em excesso também pode interferir no trabalho do diretor e do ator. Lembre-se, cada um tem seu papel em um filme.

4 – Transição



A transição indica como será feita a edição do final ou do inicio de uma cena. As transições mais comuns são:

·         Corta para: Indica um corte brusco na cena, iniciando a próxima logo em seguida
·         Fade in: utilizada no inicio da cena. Indica uma revelação gradual da imagem.
·         Fade out: Usado no final da cena. Indica um obscurecimento gradual da imagem.

Esses são os elementos principais presentes em um roteiro. Com essas técnicas já é possível elaborarmos nosso roteiro. Claro que existe uma formatação padrão de um roteiro, mas para facilitar isso podemos utilizar de alguns softwares específicos para a criação de um roteiro. Existem ótimas opções gratuitas como o Celtx ou o writerDuet (online). Mas se você estiver disposto a investir uma grana nisso, o melhor é o Final Draft.

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